terça-feira, 15 de junho de 2010

Ode à Alegria
(An Die Freude)


Oh amigos, mudemos o som!
Entoemos algo mais prazeroso
E alegre!

Alegria, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios pelo fogo entramos
Em teu santuário celeste!

Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu.
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce vôo se detém.

Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!
Mesmo aquele que conquistou apenas uma alma,
Uma única alma em todo o mundo.
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!

Da alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.



Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim para se erguer diante de Deus!

Alegremente, como seus sóis corram
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus caminhos,
Exultantes como o herói diante da vitória.

Alegria, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios pelo fogo entramos
Em teu santuário celeste!

Enviem um beijo ao mundo todo!
Mundo, você sente a presença do seu Criador?
Pois milhões se abatem diante dele!

Abracem-se milhões!
Porque Irmãos, além do céu estrelado
Deve haver um Pai Amado!



Ludwig Van Bethoveen

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Assim seja!

“Can you give me sanctuary?
I must find a place to hide,
A place for me to hide…

Can you find me soft asylum?
I can´t make it anymore,
The man is at the door.”

The Soft Parade, The Doors.


És dissidente de algo… Terás culpa? Lembras-te de como era doce aquela pueril certeza infantil? Mas agora... Agora a questão devora-te e pressentes que necessitas imperiosamente de uma resolução.
Em tua errante busca, bates a uma porta: “Tendes a resposta?”, dizes e obténs a seguinte réplica: “Temos, o nosso preço é razoável, considera: não queremos mais do que a tua liberdade.” Insatisfeito, tu recorres a uma segunda porta e dizem-te: “Aqui exigimos apenas teu sangue e suor.” Atônito, e sob a soleira da terceira parada, ouves: “Nós desejamos somente os teus sonhos.” Tomado de desconfiança, tu indagas se tal preço não é demasiado caro, e assim te respondem: “De que vale teu sonho isolado e não-nosso? Nós somos os eleitos!”
Se a ti fosse dada pelo menos a facilidade de eleição de uma causa primeira, tal como acontece com os homens de ação! Mas... Não! Não queres absolutamente a obediência obtusa que, pela própria natureza de sua limitação, impossibilita o vislumbre do diferente. Ai de ti, infeliz herdeiro do sacrifício de Prometeu! Vieste ao mundo com a semente do questionamento, foste dotado de uma consciência hipertrofiada! E sabes que assim caminharás sozinho, pois à pergunta que te desafia, ninguém poderá dar-te a resposta. Ademais, tu mesmo não poderás senão intuí-la. Compreendes, tu, por que não adotaste a fé em comunidade? Decerto que a subserviência é ainda mais angustiante, bem como o exclusivismo, a pretensão a uma superioridade legitimada e a intolerância não fazem o menor sentido. A não ser que – e, se assim for, estás desde já condenado – o Senhor seja exclusivista. Neste caso, poderias até inventar o Teu. Entretanto, tão logo esta idéia nascesse, cessaria de viver: tu sabes que o que hoje constitui o anúncio de um lindo exercício de respeito, liberdade e compreensão, amanhã se tornaria apenas mais uma forma de exclusão, sob a égide da ortodoxia intolerantemente ‘idônea’.
Sabes que a taça que hoje ostenta a inscrição: “Esperança” poderá adornar-se da palavra: “Mistério” no porvir, assim como não ignoras que jamais poderias dispor da liberdade dos homens, e assim procederias não por fraqueza ou capricho, mas pela convicção inabalável, proveniente de um notável esforço de compreensão e amor, segundo o qual a nenhum homem é concedido o direito de se manter por meio das dores e dos sonhos de outros homens. Por toda a posteridade, assim seja!

Gustavo Morais Barros.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Antes, eu dormia, sem saber
Que uma flor se escondia dentro do meu seio...

Não sabia que a verdadeira beleza
Era o sacrifício das flores que se desvanecem aos poucos ...

Não sabia que a verdadeira vida
Não eram as cores, nem a música, nem a luz do sol que cintila !
Não era nem o teu sorriso, nem era tampouco o teu delicado toque...
Não era o teu calor, nem a suavidade do teu abraço!

Mas sim o frio da noite, com tuas estrelas
A distância de nunca mais poder te ver, de nunca mais poder te tocar...
Estas lágrimas que escorrem de minha face, como estrelas cadentes...
Que riscam o céu uma vez e ... nunca mais!

A verdadeira beleza não eram os teus olhos
Brilhantes com o amor puro que nada pede...
Não era o teu toque, que me protegia em meu medo
Não era sequer o teu carinho, tão intenso e ao mesmo tempo tão suave...

A verdadeira vida não era este instante, nem sequer esta paz
Gotas espargidas de esperança, orvalho, também não era...
Não era cousa alguma, nem das que foram ditas,
nem sequer das que foram sonhadas...

A verdadeira beleza, oh minha noite escura
Minha madrugada sem luz
Era a tua viagem
Na escuridão do nada, sem o temor de fantasmas
Sem o temor da morte, sem o temor do fimSem o temor da fome, sem o temor da solidão.
Tu eras a flor, a flor dentro do meu coração
Um único desejo te fez atravessar todos os infinitos
Nada pedir, nada querer, e nada conquistar.
Tu eras a beleza, tu eras a vida
Renunciando a tudo por apenas um desejo
Abandonar toda a eternidade por apenas minha voz
Renunciar a si mesmo por minha felicidadeApenas isto desejar...

Oh Lume! Agora eu posso cantar!
E minha voz ressoa por todos os cantos
Mas onde tu existes, não sei onde estas?
Será que minha voz pode te alcançar?

Oh Lume! Agora eu posso brilhar!
E minha luz cintila entre as terras junto a lua prateada
Mas onde estão os teus olhos, não sei onde estas?
Será que minha luz pode te alcançar?

Oh Lume! Estremece a gota alada
Escorre em minha face, delicada lágrima
Agora eu entendo, esta beleza, e esta vida
Eu sinto que somos um, como o dia e a noite
E que um dia iremos nos reencontrar...

Luciano Moraes

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O vento que dança

Hoje eu quero dançar tal qual o vento
Colocar meu corpo em movimento
Tal qual a árvore que se dobra
Saudando a Tempestade

Que o frio que a chuva traz
Traga também o alimento
Alimentando almas famintas por sabedoria

Que os anjos me inspirem
Que bons sons me acompanhem
Que eu desconsidere o que de mal for dito
Exceto se esse mal for necessário

Que a alegria e a tristeza
Que a dor e a esperança
Morem em mim dual que sou
Mas que se tornem equilibrio

Que o movimento de minha dança apazigue a dor
Que me mostre a efemeridade da alegria.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Alegria

Quem sou eu pra duvidar que existe alegria
Quando me encontrares, comigo sorria
Que pra que eu me lembre que existe algo alem do dia-a-dia
Que pra que eu rocorde o calor que sacia



A alegria está espalhada no fugaz que empolga
Está presente no colorido que desbota
Vive até mesmo intrinseca na dor que jamais esgota
No desencontro daquele que desgosta



A alegria é a tristeza disfarçada de paixão comovente
É a beleza melancolica da canção envolvente
É o toque de desamor que soa no indiferente

Há tristeza no riso forçado
Presente está no cotidiano embotado
Alegria e tristeza irmãs que entoam o mesmo fado

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Quem conhece a flor que está por desabrochar?
Quem pode conhecer o que dentro de si está?
Quem saberá que sentimentos está por vir?

Que tudo pode mudar sempre foi dito
Mas não nos dizem que as mudanças são como a morte e o nascimento
São a causa certa da vida
Embora seja doído não há vida sem nascer
E nada é mas certo do que morrer

E as mudanças em seus passos trazem a dor e a esperança, o medo do futuro
E a certeza da inconstancia da vida

quarta-feira, 17 de março de 2010

Desejos

Hoje eu queria voar
No seu me esticar
Nas estrelas tocar, sem me queimar
Tocar o Luar, sem congelar

Queria ser brisa leve
Soprando a agua
Empurrando a chuva
Levar o calor e o frescor

Quisera ser boa conselheira
Quisera ser boa mãe
Quisera ser boa mulher

Houve dias em que desejei tudo deixar
Deixar o calor, deixar o luar, deixar as estrelas
Deixar meus cabelos soltos sem me preocupar

domingo, 14 de março de 2010

Definição

O que é a violência?
É a crueldade do egoísmo?
É a dor da alma que grita faminta?
É a explosão de uma paixão?
É o momento de solidão?

O que é a solidão?
É estar sozinho diante de muitos?
É não ter ninguém no coração?
É a alma que vazia passeia sem se dar conta de si?
É tudo ter sem nada Ser?

O que é a paixão?
É a irmã egoísta do amor?
É a que promove a solidão?
É a que queima num fogo febril o coração?

É que é o egoísmo?
É o estar junto mais distante?
É o resto do mundo não perceber?

sábado, 6 de março de 2010

A casa da solidão

Havia solidão naquele lugar
A casa estava cheia
As pessoas estavam vazias

As pessoas estavam cheias de preocupações individuais
A casa estava vazia de calor
A solidão crescia

A casa estava cheia de irritação
As pessoas se enchiam de solidão
A solidão invadia a casa e as pessoas

Núbia Benta

sexta-feira, 5 de março de 2010

Sentimentos

Um turbilhão de emoção invade o coração
Hora calmo e sereno
Hora inquieto e raivoso
Assim seguem as horas, os dias, os passos
Controlando o Incontrolável,
Descontrolando o que se encontrou
Assim é o sentimento
Momentos desespero
Momentos de confiança
Nessa longa dança
Tudo é emoção
Mesmo o mais indiferente
Alguma coisa senti

quinta-feira, 4 de março de 2010

Arroubos da Paixão

Sinto-me profundamente comovida
Vendo a paixão que brota em coração alheio
Lembro-me que em meu peito ardeu tal devaneio
Em tempos idos
Restam-me memórias
Pequenos lampejos de emoção tamanha
Que dentro de mim me tornou estranha
Sentia o fogo que consumia
Em destruição ardia
Tamanha agonia

Mesmo retribuida
A paixão avassaladora
De ilusões condutoras, fez-me penar
Acima de tudo desejar

Hoje tranquila
Vejo-me compelida
Ao Amor sentir
De forma a renascer não a padecer
Ter e não ter
Mesmo assim não importar

O coração acalmou
Mas o fogo não apagou.

Núbia Benta